terça-feira, 25 de janeiro de 2022

casa suja chão sujo

Eu não quero ir embora

E que quero sim poder dar tchau.

Não quero ir embora de mim, mal cheguei

Nem adentrei direito por que tava dando aquele grau.

Tirando poeira e jogando água.

Agora tá limpo e quero ficar.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

TALO

 preciso me lembrar

de esquecer

de pensar 

em você

todo o dia


essa vontade

ansiedade

que invade

meu ser

agonia


mais sincero é dor;

medo:

sigo a gritar:

- POESIA!

dito,

guardo o meu segredo.


talo

seu falo

meu calo

me calo

e poupo-me.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

o conchavo com o tempo

é só o possível pro tempo mesmo não virar


quinta-feira, 16 de setembro de 2021

uns cara bundão

 UNS CARA BUNDÃO

COM VÁRIAS MINAS ATITUDES NA COLA

ÁI, ME CORTA O CORAÇÃO

SÓ DE OLHAR

E QUANDO SOU EU ENTÃO...


 NA BOTA DESSES CARA  NÃO VAI

ATRÁS

QUE É A VOLTA DA TRILHA TRILHADA

A FERRO E FOGO, NÃO DÁ


SERÁ SE DEUS É SMACHO E ELA ERROU?


quarta-feira, 15 de setembro de 2021

crecheu

que deus te bendiga
que você possa ver com clareza
o tamanho do seu egoísmo 
e o tantos de merda que faz

(música do Yuri, esse é o preço, bem pagode antigo)

de mentiras à loucura
tua farsa te transformou
agora cê é sua própria sátira
prometeu

e

quantos punhais em teu peito meteu (tu)

minha munição máxima
em disparos a esmo
ferem esses trapos 
que vestem nossas almas    insaciáveis, incansáveis, sedentas inacessíveis pois já incrédulas de razão afetiva ou responsabilidade emocional
depois de noites de (um) amor verdadeiro travestido de libertinagem e desapego.
tem medo de crescer e não aprender a voar...

escolheu de qual galho cair?
escolher (eu) qual das tristezas afogar (?)
escolheu não voar, não bater asas, 
só, nadar em rasantes

não te cai, nem nunca caiu, bem a categoria de bandoleiro
cê é tão sentimental,
é tanta água,
c'é lôko, mas tão sentimental.

desfaz esse bico,
engole o choro
e aceita, que dói bem menos,
cê vai ver

se quiser não chame de amor
se quiser nem se apaixona,
mas aceita que nem dói, aceita.

deixasse rolar...



segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O Tempo urge. O Tempo ruge. O Tempo rouge.

terça-feira, 17 de abril de 2018

muda vitoriosa

Francisco acorda de um jeito outro. Acorda com um brilho de ouro no coração.
Sonhara com uma rainha, uma world lady da soberania dos pretos. Povo escravizado, ainda escravo pelos olhos e gestos dos escravocratas (luta de classes!) (será que tem a ver com a conjuntura planetária?). Soberana sublime que toca com arte pura, o devir de todo um povo. Um acalento à muitos corações viúvos de amores e filhos homens jovens negros, ao amor. (No sonho ela era ou estava no lugar da rainha Vitória, não entendi bem isso. Entendi sim)
Francisco branco se tocou e se intrigou. Francisco tinha boca de cantor, entoava como ninguém um barítono que era dele mesmo, Natural. Se pôs a cantar sambas lindos, cantou Ivone, cantou de Ivone e não só de Ivone, não por essa manhã, mas para toda a vida. Não que não o fizesse antes, Francisco é sobrinho de Tio Zé, aquele fofo, que com certeza com a rainha também se tocou. Especial. Sentido. Um choro. Um samba.
Francisco conhecia seu lugar e além de respeito tinha muito medo de ultrapassar sua fronteira,
desenhada com um tênue risco de sangue, que para uns néra nada tênue e para outros era a clara prova de que há muito mimimi vindo do escuro, mimimi termo esse que me dá uma angústia que se quiser explico, que me enche de raiva e me faz vomitar por dias. Sempre vomitando... Francisco tinha muito medo das mulheres negras. Francisco se deitava com homens brancos e negros (isso vale dizer, apenas pra ressaltar que todo homem branco hétero tem medo de mulher negra. Não hétero, nem todo). Elas estavam no topo da cadeia alimentar (emergindo, com garras pintadas de esmalte com mirtillo). As que tinham grande porte lhe causavam pavor. Elas eram bravas, muitas vezes brutas (na escola o levaram ao chão). Eram feras enfurecidas. Tinham a mesma raiva que eu tenho.
Quando Francisco conheceu Ivone, não que tenha se permitido, mas se aproximou. Se aproximou do coração de Lara. Ivone era exatamente dessas pessoas que causavam o tal pavor. Mas era também uma entidade. Era grande, muuuuuito grande. Era gigantesca. Maior do que quase tudo que é gente e a gente já tinha visto ou ouvido falar. Movia ventos, movia morros, movia o sol, movia asfalto. Movia tudo com amor (muita gente boa tem amor), movia tudo com fé (muita gente boa tem  fé), para ela Deus era amor (muita gente boa tem Deus) e Deus eram os Nkisis (muita gente boa tem Nkisis). Os Nkisis eram a terra (muita gente boa tem terra (?)), o fogo, que muita gente boa tem e também a água e o ar, que não sei dizer agora, porque tô com medo de acabarem e ficar quase nada só no domínio de pouca gente, má. Ela, Ivone, não tinha mais raiva, porque teve muita Tia Joana, e muita Vó Maria que trocasse nela o medo pela ousadia, a raiva pela coragem. Ela não era como a gente. Era viva, madura e responsável. Nossa Tia Mundica, Nossa D. Zilda.




Francisco sente muito a partida de Ivone. Sente muito a partida de Raquel. O mundo chora. Mas Francisco agora se dói pelas mulheres do topo (que são as mesmas da base). Elas ainda precisam subir, Francisco sabe. Dor por sua irmã preta, que agora busca desesperadamente por referências vivas, maduras e responsáveis, com a leveza que tira ela, a irmã, das trevas do ódio.

"...não chora não, meu bem, que dias melhores já vêm."

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O HOMEM METAFÍSITO

Não tem uma ordem,
as coisas são.
Elementos externos
que são a definição do que será.
Esse corpo é uma máquina;
são hipóteses experimentais.

Claude Bernard anuncia:

As leis físicas determinam as ações dos homens

A poesia; a razão e a paixão; 
um milagre sempre acontece.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Eu mudar

Eu mudar. Nascer. Ter aqui em mim a recente sensação semente. Estou próxima do começo e mereço recomeçar. Eu posso aniquilar experiências futuras vividas, araigadas em mim fazendo eu ser quem eu era antes do que está por vir de fato a acontecer. Eu sem minha experiência genética tagada no seio do infinito. Criar um inferno pode não ser uma opção. Eu mudar. Eu saber guardar segredos. Eu entender de mistério, eu não querer saber e desvendar o medo. Alguém me fabricou para um propósito mas a luz da lua vermelha me faz sentir crescer. E esse ar tesão em mim inspira e está já fora de programação. Eu mudar. Eu de fato calada. Podendo apenas deixar passar. Não só punhais deixam marcas. Mas não precisa ser sempre um punhal. Não precisa ser marcas. Eu mudar. Muito tão sólida. Muito tão brutal. Muito homo sapiens. Programa de tratamento para as águas dos rios. O trem corre por cima da linha.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Parar de sonhar contigo

Tem sido cada dia Mais difícil sonhar contigo. Eu me Agito. Tudo é agitado. Tu, eu, a aldeia ao lado. A nado chegamos. Á-gua! Mas lá, que estrago! Esse fogo lá. Esse fogo aqui. Queimou as abelhas E não temos mais mel. Tem sido bem difícil sonhar contigo. Se me deito para dormir em teu leito, Tapete, peito. Num canto estreito Lá longe olho te. Depois da volta do mundo. Agito me. Não durmo. Se sonho é acordada E é tão tênue esse limiar Que prefiro me manter no real palpável a nós dois. Atrás vem gente. O dia é vem. Tem sido muito difícil sonhar contigo Tua presença em mim constante Que se faz de ausência, não distante (A distância da volta ao mundo) Perto, dentro pulsante, Eu passo noites de insônia contigo em minha têmpora. Peito Sentido. O meu. O teu. E para voltar a sonhar Faz sentido Viver sem tigo Pois enquanto houver sonho, há liberdade!