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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

no depósito da esperança
em um lugar do desconhecido
expectativa
pra quê tanta
tamanha dor que causa
depois
durante
e antes.
antes de que mesmo?
porquê quase nunca acontece
se tanta energia inócula
vem sendo dispendida de antemão

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Quinhão

não neguei o seu amor.
tinha o encontro
anotado em minhas mãos
mas suava frio
pensando no calor do nosso encontro.

criei coragem
(trouxe da certeza desse nosso amor),
estiquei meu braço esquerdo,
aquele dos sentimentos
femininos em seu eixo.

quando então busquei com os olhos as palmas
vi minhas certezas
tão solúveis ao destino
quanto tinta de caneta à água.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

então

Em tão pouco tempo
deixaria de sofrer.
Imaginação, diz o Taata, não é ação.
Deixaria de viver o futuro
impalpável em suas mãos.

Em tão pouco tempo
deixaria o passado ir adiante,
de um ponto de vista oposto,
posto na pista da volta
desprolongando o minuto do ser.

Passaria, então, a ouvir
seu próprio universo
não desconecto do todo,
pois apenas um somos,
Presente do universo
Dórum Sácrum
Kronus Sácrum

Ou sentiria que esse fora o recado
e cumprido em sua essência
do começo desconhecido
ao fim enigmático,

indivíduo grão de areia.

Mas continuaria aceitando
o céu de hoje aos olhos

ou daqui a nove ou dez anos
buscaria o para si?

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

gotas caem - chuva alemã

cada gota que cai
como uma pá rompendo o chão
pelas mãos do coveiro Apolo
me matando sem razão

é o prematuro anúncio
de minh'última vida, irmão 
me perpetuar junto ao solo
pra não ter vivido em vão.

com a facilidade da morte 
vi o longo fio da vida
se soltar do coração.

desapegada da sorte
junto a porta da saída
já aceno minha mão.