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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ode à mescalina

Da possível perfeição
Em cada nota sentida,
De nossos corpos se mesclando
Trocando carícias espirituais,
Ao não desperdício do agora,
Em único graal, um brinde!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

um pouco sobre o amar

Muitas vezes, quando a gente está em crise, no auge de uma decepção amorosa, pensamos, com bastante nebulosidade, que devemos mudar o foco do pensamento, e parar de pensar em amor.
Eu aqui comigo mesma, penso que essa é a maior besteira a ser feita. Só o amor liberta. Só o amor salva. É pelo amor que encontraremos a leveza divina.
Se faz importante assumir a importância de companheiros ou de companheiras. Que nos amem e nos respeitem. (E se em algum momento nos desrespeitarem, esclareçamos, e saibamos também , que isso é um problema que o outro vai ter que resolver consigo. Podemos ajudar, mas é a missão do outro tal entendimento e transformação.) Mas é da mesma importância se respeitar e se reconhecer, e reconhecer quais são os sentimentos produtivos e quais são os que não são produtivos. Alimentar sentimentos de posse e de ciúme não é aconselhável. Rasga, destrói, dói e faz sofrer. Duro trabalho do dia-a-dia, que vai ficando mais mole quanto mais presente é.
Se respeitar inclui com toda a clareza o perdão. Se perdoar, lá dentro, lá no fundo, de todo o mal que já fizemos a nós mesmas, nos machucando, ferindo, punido. Foi muita exigência do eu para o eu.
Se aceite. Aceite o que o universo veio lhe falar. Veio lhe proporcionar inúmeras verdades e possibilidades.
Esteja pronta para amar, amiga. Ame!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O bote

Quando na linha do horizonte se vê o amor ao mar,
(Ele é cheio de emoção)
Ele preenche
Ele invade
E transborda a felicidade
Que rebate e bate na pedra,
Confiante e violento.
Quem aqui espera vê
E confirma sua chegada:
"Ele vem me buscar remando,
E debaixo do céu os encontros são divinos,
Ele só pode ser maluco,
E tudo pode acontecer."
A moça bonita que espera, agora é vênus.
É o vento ventando e fazendo esvoaçar
Sua cabeleira de linhaça,
entre negras e douradas,
Como as borboletas saltitantes
Do capote de Maristela.
São seus músculos se contraindo
E de súbito a boca se abre.
É uma vênus do ébano,
Uma oxum do quebra pote,
Exibindo uma linda arcada marfínica,
Deixando escorrer seu Cândido veneno lacrimoso
Provocando, assim, desejo imenso
aos transeuntes do cais.

Todos querem agora amar.

#oamorvemdebote

terça-feira, 2 de junho de 2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015

mais um chá

Eram 18:27, a água fervia na chaleira,
mas ainda selecionávamos as ervas que caberiam naquele momento de extrema aflição.
Uma angústia tamanha
que só não se sabia muito bem de onde vinha porquê as fontes eram inúmeras
e em suas ramificações a confusão fazia estadia.
Ele um chá de morango e eu de lichia da china.

tempestade intensa calmaria propensa

pesadelo, tosse: noite mal dormida
companhia esguia: susto
toca telefone: viagem cancelada
caracol: coração partido
(dominó: jogar com displicência)
amigo, compaixão: sonografia
meio dia: fome
auxílio negado: choro agora veio,
e se manterá por um mês
geladeira quebrada: técnico=diabo eu=cruz
espinha na bunda: dádiva luz.
divina luz.

pisar em bosta ou ser atingido por ela: relaxe, pura sorte.

sexta-feira, 13 de março de 2015

guiadas por um fio

promover uma conversa afiada.
que se fia na confiança.
na verdade que se pode ser dita de ser para ser.
pensando um jeito de tramar, sem que nós sejam feitos.
algo que se misture e nos forneça calor.
que esteja bem arrematado, mas que se caso queira desfazer,
é só puxar o fio, que com leveza se desenrola
e recomeça do começo.
um começo já vivido e outrora experienciado.
tramemos!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

cansou

tão mal. aqui em mim
e meu eu-lírico,
 cansado do eu
e de tanto sofrimento
na verdade farto
de tanto alimento
grita. explode. me toma
e ganha o mundo
mudando meu foco
tranquilizando meu ser em mim.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

chorei de tão eu agora estava

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

a minha vida em São Paulo (e não sei de quantos mais)

Aí as pessoas falam: "Acho que você tem que sair um pouco de São Paulo. Não sei. Tomar um ar fresco. Respirar de verdade sabe. Andar um pouco e dar um mergulho.Viver uma cachoeira! Entrar de baixo de uma queda.  Dá uma chacoalhada na vida." Dar uma chacoalhada na vida você tá querendo me dizer acordar? Tipo, alou, a vida está aí. Entendi. Tipo uma queda. Quedas fazem isso mesmo, mas não sei com que eficiência, meu corpo é um baú, que guarda relíquias em forma de cicatrizes literais. Tapas na cara também são ótimos despertadores, mas esses no sentido figurativo, e me parece que os tapas na cara que São Paulo dá na gente não são nada figurativos. Ela é agressiva, é autoritária. Vive nos dizendo: " E aí, vai ficar aí rolezinho? Andando de mão dada? Tocando um violão ou o quê?"
É muita coisa. É muita coisa atrapalhada na cabeça.
Acho que esses gazes conduzem à nebulosidade lógica. Depressão. Amigos que dizem que estão perto mas não estão. A cocaína. Ah, que bom que ela não existe mais em minha vida.
O amor. Não sabem amar. Não querem amar. São egoístas e não querem dar o que não tem.
E é isso que eu sinto. Me sinto envelhecendo em São Paulo. No mesmo esquema quatrocentão, sem criatividade. Me sinto cada vez mais parecida com a Brigite Bardot do Tom Zé. Velha, triste e sozinha. Velha para lançar o meu primeiro livro.
E se vivo no meio de um povo maluco e masoquista, também me sinto maluca e masoquista. E é claro que tudo isso não acontece só aqui, mas acho que a  falta de tempo que as pessoas tem para perceber o quanto importante é dividir e comungar, causada pelo excesso de devoção ao trabalho, a inveja, a cobiça, disfarçadas de ambição e garra. Isso se mostra bem mais claro e nítido aqui. Sem nenhum nível de astigmatismo que nuble isso aos meus olhos.
Fico triste que os grandes artistas não tenham conseguido amolecer esse coração acimentado. Foi isso. Chegaram com aquela maquinona medonha, um daqueles monstros típicos daqui, a bitoleira, essa grande o suficiente, que coubesse o todo o cimento para encobrir a Grande São Paulo.
Eu parei de culpar o mundo pelos meus problemas, mas não paro de culpar a São Paulo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Kalos kai Agathos

Coisa? Tudo é coisa!
As coisas não são só seres.
Sim, são estares.
Sim, são quereres.
São a não plenitude do sentimento,
o tempo e a falta dele,
e não se nomeiam no silêncio,
mas são coisas e se distinguem.

O realismo, pois a natureza
é parte essencial da criação.
A beleza é Luz,
tranquiliza  e é sinal de nobreza.
É origem e princípio divino das coisas.
As cores são coisas
e a Luz passa por elas,
precisa-se ver.
Projeção.
Usamos lentes, usamos óculos,
precisa-se ver!

São seres também.
E já não somos frutos
do pecado original.
Somos seres de Luz,
e nossa herança não é a culpa,
somos verdade.
As verdades se revelam e a graça é alcançada.
Somos seres de Luz.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Silêncio Surreal

Procurava por verdade
mas varreram tudo pra debaixo do tapete.
E é desse silêncio que eu falo,
Que mastiga e engole
todo o ar do ambiente.
O ecoar do canto do grilo,
na devastidão do imenso nada,
inverte a proporção
e dá espaço ao cantar da sabiá,
que não muda de assunto, pelo menos por aqui.

Me transformei em toda ouvidos
esperando alguma fala
Leve e Sincera.
Agora me vejo rimasta
a um coração derretido e cheio de futuro,
entendendo ainda se
se dá com reciprocidade
o respeito entre figo e o cravo.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

depósito de paixões perdidas

E qual é mesmo
a Paixão que se realiza?
E pra onde vão
as não realizadas?
E se existisse um deposito de Paixões perdidas
onde os desesperados fossem procurar
as suas, e sabe quando você acha,
no achados e perdidos,
algo que não era seu, mas lhe cai bem e está lá em desuso?
Imagine quantos
corações seriam salvos.

tatu

isso, esse meu jeitinho jeca
não passa de um impulso.
meu instinto me cuidando,
não me deixando perder
a última gota de precipitação.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

então

Em tão pouco tempo
deixaria de sofrer.
Imaginação, diz o Taata, não é ação.
Deixaria de viver o futuro
impalpável em suas mãos.

Em tão pouco tempo
deixaria o passado ir adiante,
de um ponto de vista oposto,
posto na pista da volta
desprolongando o minuto do ser.

Passaria, então, a ouvir
seu próprio universo
não desconecto do todo,
pois apenas um somos,
Presente do universo
Dórum Sácrum
Kronus Sácrum

Ou sentiria que esse fora o recado
e cumprido em sua essência
do começo desconhecido
ao fim enigmático,

indivíduo grão de areia.

Mas continuaria aceitando
o céu de hoje aos olhos

ou daqui a nove ou dez anos
buscaria o para si?

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Das formas de se partir e colar

quando me parto em cacos
só me colo a araudite,
que me remete a nomes clássicos
e isso sei que bem cola.

se me rasgo, rasgo, rasgo,
colo com fita durex,
que cola coisinha à toa
e rasgadinho é rasgadinho.

mas quando racho\ trinco,
aí é solda ou cimento,
que quanto mais duro, mais difícil é consertar.

super bonder me resolve quebrado em porcelana,
dá-se um jeito.

agora,
costuro meus retalhos me resignificando em colcha
e com cara e coragem
o convido a se deitar.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Esse meu coração de ferro
Agora precisa de solda.