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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

caminhando sobre calos

muitas vezes muito doem
poucas vezes pouco doem
nunca não doem se existem
as vezes se anulam por costume
provocando alívio não identificado
mas ainda assim alívio sentido

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

então

Em tão pouco tempo
deixaria de sofrer.
Imaginação, diz o Taata, não é ação.
Deixaria de viver o futuro
impalpável em suas mãos.

Em tão pouco tempo
deixaria o passado ir adiante,
de um ponto de vista oposto,
posto na pista da volta
desprolongando o minuto do ser.

Passaria, então, a ouvir
seu próprio universo
não desconecto do todo,
pois apenas um somos,
Presente do universo
Dórum Sácrum
Kronus Sácrum

Ou sentiria que esse fora o recado
e cumprido em sua essência
do começo desconhecido
ao fim enigmático,

indivíduo grão de areia.

Mas continuaria aceitando
o céu de hoje aos olhos

ou daqui a nove ou dez anos
buscaria o para si?

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Devastidão

Ficar bem eu fico
O difícil é me cuidar.
Me cuidar me cuido
Mas deixo muito pra trás.
Para trás memória
Da memória se esvaiu.
Se esvaiu passado
Passado correu pro riu.
Todo rio no mar
E o mar devastidão.
De vastidão é tudo
Tudo nada quase é.
É quase ficar bem
Isso sem perder a fé.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Das formas de se partir e colar

quando me parto em cacos
só me colo a araudite,
que me remete a nomes clássicos
e isso sei que bem cola.

se me rasgo, rasgo, rasgo,
colo com fita durex,
que cola coisinha à toa
e rasgadinho é rasgadinho.

mas quando racho\ trinco,
aí é solda ou cimento,
que quanto mais duro, mais difícil é consertar.

super bonder me resolve quebrado em porcelana,
dá-se um jeito.

agora,
costuro meus retalhos me resignificando em colcha
e com cara e coragem
o convido a se deitar.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

solo de rubi
















na
volta às minhas origens
a dor se intensifica.
as raízes que ficaram, não foram comigo,
foram obrigadas a enrijecer
e ocuparam meu antigo e terno pedaço de terra,
crescendo-se em si e se perpetuando
nas sementes eminentes de seus próprios frutos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

partida do aquário

é que sou um vazo de vidro
cheio muito cheio d'água
pronto para transbordar puramente e transparente
já bem cheio forte mas de vidro
e o ar da mudança espacial
gera o fogo detentor do amor
que até hoje me faltava em terra.