segunda-feira, 8 de outubro de 2018
terça-feira, 17 de abril de 2018
muda vitoriosa
Sonhara com uma rainha, uma world lady da soberania dos pretos. Povo escravizado, ainda escravo pelos olhos e gestos dos escravocratas (luta de classes!) (será que tem a ver com a conjuntura planetária?). Soberana sublime que toca com arte pura, o devir de todo um povo. Um acalento à muitos corações viúvos de amores e filhos homens jovens negros, ao amor. (No sonho ela era ou estava no lugar da rainha Vitória, não entendi bem isso. Entendi sim)
Francisco branco se tocou e se intrigou. Francisco tinha boca de cantor, entoava como ninguém um barítono que era dele mesmo, Natural. Se pôs a cantar sambas lindos, cantou Ivone, cantou de Ivone e não só de Ivone, não por essa manhã, mas para toda a vida. Não que não o fizesse antes, Francisco é sobrinho de Tio Zé, aquele fofo, que com certeza com a rainha também se tocou. Especial. Sentido. Um choro. Um samba.
Francisco conhecia seu lugar e além de respeito tinha muito medo de ultrapassar sua fronteira,
desenhada com um tênue risco de sangue, que para uns néra nada tênue e para outros era a clara prova de que há muito mimimi vindo do escuro, mimimi termo esse que me dá uma angústia que se quiser explico, que me enche de raiva e me faz vomitar por dias. Sempre vomitando... Francisco tinha muito medo das mulheres negras. Francisco se deitava com homens brancos e negros (isso vale dizer, apenas pra ressaltar que todo homem branco hétero tem medo de mulher negra. Não hétero, nem todo). Elas estavam no topo da cadeia alimentar (emergindo, com garras pintadas de esmalte com mirtillo). As que tinham grande porte lhe causavam pavor. Elas eram bravas, muitas vezes brutas (na escola o levaram ao chão). Eram feras enfurecidas. Tinham a mesma raiva que eu tenho.
Quando Francisco conheceu Ivone, não que tenha se permitido, mas se aproximou. Se aproximou do coração de Lara. Ivone era exatamente dessas pessoas que causavam o tal pavor. Mas era também uma entidade. Era grande, muuuuuito grande. Era gigantesca. Maior do que quase tudo que é gente e a gente já tinha visto ou ouvido falar. Movia ventos, movia morros, movia o sol, movia asfalto. Movia tudo com amor (muita gente boa tem amor), movia tudo com fé (muita gente boa tem fé), para ela Deus era amor (muita gente boa tem Deus) e Deus eram os Nkisis (muita gente boa tem Nkisis). Os Nkisis eram a terra (muita gente boa tem terra (?)), o fogo, que muita gente boa tem e também a água e o ar, que não sei dizer agora, porque tô com medo de acabarem e ficar quase nada só no domínio de pouca gente, má. Ela, Ivone, não tinha mais raiva, porque teve muita Tia Joana, e muita Vó Maria que trocasse nela o medo pela ousadia, a raiva pela coragem. Ela não era como a gente. Era viva, madura e responsável. Nossa Tia Mundica, Nossa D. Zilda.
Francisco sente muito a partida de Ivone. Sente muito a partida de Raquel. O mundo chora. Mas Francisco agora se dói pelas mulheres do topo (que são as mesmas da base). Elas ainda precisam subir, Francisco sabe. Dor por sua irmã preta, que agora busca desesperadamente por referências vivas, maduras e responsáveis, com a leveza que tira ela, a irmã, das trevas do ódio.
"...não chora não, meu bem, que dias melhores já vêm."
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
O HOMEM METAFÍSITO
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Eu mudar
Eu mudar. Nascer. Ter aqui em mim a recente sensação semente. Estou próxima do começo e mereço recomeçar. Eu posso aniquilar experiências futuras vividas, araigadas em mim fazendo eu ser quem eu era antes do que está por vir de fato a acontecer. Eu sem minha experiência genética tagada no seio do infinito. Criar um inferno pode não ser uma opção. Eu mudar. Eu saber guardar segredos. Eu entender de mistério, eu não querer saber e desvendar o medo. Alguém me fabricou para um propósito mas a luz da lua vermelha me faz sentir crescer. E esse ar tesão em mim inspira e está já fora de programação. Eu mudar. Eu de fato calada. Podendo apenas deixar passar. Não só punhais deixam marcas. Mas não precisa ser sempre um punhal. Não precisa ser marcas. Eu mudar. Muito tão sólida. Muito tão brutal. Muito homo sapiens. Programa de tratamento para as águas dos rios. O trem corre por cima da linha.
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
Parar de sonhar contigo
sexta-feira, 26 de maio de 2017
lei do ventre livre
Não vem me saborear.
Sou doce e não sou fina
(me considerará intragável).
Feroz, sim,
Mas não sou seu animal.
Na minha fala tem diálogo
E no meu diálogo tem dor.
Lido com o sofrimento,
Recebo e acalento a morte.
Eu estou aqui!
Eu fui, sou, e ainda seremos.
Me rio de mim,
Aprendi a nadar com as águas
Mas não sou cômica.
Não ando engraçado .
Não danço engraçado.
Tampouco engraçada é minha língua.
Não sou Joana, não sou Isaura.
Na ponta da azagaia que eu te lanço tem veneno.
Não sou Iracema, não sou Irecê.
Sou Jacuí, guardo o submundo e voo com os pássaros.
Essa gota que você esconde
Por se imaginar segregado,
É a gota quente de que me orgulho, e que se valha meu passado!
Eu estou aqui!
Eu fui, sou, e ainda seremos.
Minha autonomia construo sem vingança
E você bem sabe que por si próprio
Foram construídas suas noites mal dormidas.
Não sou minoria, bem,
Sou a própria natureza.
sexta-feira, 21 de abril de 2017
troca semiótica
terça-feira, 18 de abril de 2017
O palhaço.
No mercado compra
Um maço de cigarros
Com vinte maços dentro
Que dentro deles vinte cigarros.
Todos eles importados.
Um galão com cinco litros de água.
Snaks pro Bóris.
Ele tem dez chapéus.
Cinco pretos. Dois roxos. Um verde e um vermelho - namora uma vez por ano.
Ele até é engraçado, mas sua expressão é triste.
Ele tem um cachorro. Dez anos tem o Bóris.
- Senta. - Deita. Não. Não rola!
- Agora me salta!
Muito bem e essa é sua interação social.