segunda-feira, 24 de novembro de 2014

zero zero, vou ver quem eu quero

Eu sabia que te veria
quando li na placa do carro.
Ficaríamos juntos
e o anúncio veio da queda
da flor do robusto jasmim-manga.
Passaram-se três dias
e os grilos cantaram juntos:
-Haja esperança!

Macumba da seca

Vou ali chorar no ralo
pra ver se ele me bebe
como água de reuso.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Silêncio Surreal

Procurava por verdade
mas varreram tudo pra debaixo do tapete.
E é desse silêncio que eu falo,
Que mastiga e engole
todo o ar do ambiente.
O ecoar do canto do grilo,
na devastidão do imenso nada,
inverte a proporção
e dá espaço ao cantar da sabiá,
que não muda de assunto, pelo menos por aqui.

Me transformei em toda ouvidos
esperando alguma fala
Leve e Sincera.
Agora me vejo rimasta
a um coração derretido e cheio de futuro,
entendendo ainda se
se dá com reciprocidade
o respeito entre figo e o cravo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

me mandou um telegrama
aproveitando o almoço da obra
três dias depois
já era tarde demais

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

no depósito da esperança
em um lugar do desconhecido
expectativa
pra quê tanta
tamanha dor que causa
depois
durante
e antes.
antes de que mesmo?
porquê quase nunca acontece
se tanta energia inócula
vem sendo dispendida de antemão

terça-feira, 7 de outubro de 2014

depósito de paixões perdidas

E qual é mesmo
a Paixão que se realiza?
E pra onde vão
as não realizadas?
E se existisse um deposito de Paixões perdidas
onde os desesperados fossem procurar
as suas, e sabe quando você acha,
no achados e perdidos,
algo que não era seu, mas lhe cai bem e está lá em desuso?
Imagine quantos
corações seriam salvos.

tatu

isso, esse meu jeitinho jeca
não passa de um impulso.
meu instinto me cuidando,
não me deixando perder
a última gota de precipitação.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

caminhando sobre calos

muitas vezes muito doem
poucas vezes pouco doem
nunca não doem se existem
as vezes se anulam por costume
provocando alívio não identificado
mas ainda assim alívio sentido

caramba, mi amor!

num dia de dor
onde as possibilidades encobrem os fatos
e a cobiça se aproveita do clima,
vou é chorar com musica bonita...

aprendi isso com a Luna
e sempre faço
nos dias mais tristes do meu mundo.