quinta-feira, 17 de abril de 2014

Devastidão

Ficar bem eu fico
O difícil é me cuidar.
Me cuidar me cuido
Mas deixo muito pra trás.
Para trás memória
Da memória se esvaiu.
Se esvaiu passado
Passado correu pro riu.
Todo rio no mar
E o mar devastidão.
De vastidão é tudo
Tudo nada quase é.
É quase ficar bem
Isso sem perder a fé.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Agora ele só curte o cu dele rosqueado.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Acerola

Primeiro lambo sua pele vermelha
depois a chupo até o caroço.
E digo des de já
um pesar não comer-te o ano inteiro.

L. USA

Em já não é a primeira vez
que invades minha terra e me seduzes
com artefatos brilhantes.
E que deixo se entregar meu coração
que até então desconhecia o amor.
E que fecundas meu solo fértil
com as mais inescrupulosas almas.
Ái, simplesmente partes
deixando devastada minha terra.
O canto da Cauã ecoa longe.
Distante tu ouves mas ainda não é hora,
só quando tens vontade de navegar.
Quando voltas me encontra
em minha rede já deitada,
nua e a sua espera.
Eis que nasce mais um
caboclinho
abandonado no Brasil.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

o amor é rotativo
e o coração infinitamente
elástico.
Se você me quis um dia
e agora não me quer mais
resolveu voltar pra trás

Vá com Deus

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Cupido, Vênus e Dionísio.

Tipo um defeito especial
Nascer com esse dom de amar
Como quem derrama o mar
Que derreteu do glacial
(feito espumas ao vento)
Algo que até normal
Nas mãos de um Deus imbecil
Quem faz todo um bacanal
Por egoísmo infantil
Esse é o desastre do Amor em mim
Porque ao invés Dele escolhi o amado
Assim do ápice me trouxe ao fim
Foi todo o leite derramado
Não sobrou nem um só pingo
Ades chama por mim.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Fujo do fingimento
para que cada vez mais,
e com mais delicadeza,
eu possa ser EU MESMA.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

aluga-se casa-se:
para toda uma longa temporada de verão.

gotas caem - chuva alemã

cada gota que cai
como uma pá rompendo o chão
pelas mãos do coveiro Apolo
me matando sem razão

é o prematuro anúncio
de minh'última vida, irmão 
me perpetuar junto ao solo
pra não ter vivido em vão.

com a facilidade da morte 
vi o longo fio da vida
se soltar do coração.

desapegada da sorte
junto a porta da saída
já aceno minha mão.